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Gestão de custos e formação de preços: o que é, importância, ferramentas e exemplos

Gestão de custos e formação de preços

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Gestão de custos e formação de preços são aspectos fundamentais para o sucesso de uma empresa. Isso porque eles se referem a um fator-chave para qualquer negócio: a saúde financeira!

Dados de pesquisa mostram que 70% das empresas que investem na gestão de seus dados conseguem uma boa redução de custos.

Isso porque o correto gerenciamento das informações financeiras e um controle efetivo de quanto a empresa realmente gasta para se manter funcionando, dos investimentos que ela faz e dos valores cobrados pelas soluções que ela oferece é determinante para sua sustentabilidade e para seu crescimento.

E, para isso, é fundamental ter uma boa gestão ágil e confiável da informação, preferencialmente com o uso de softwares e ferramentas de processos adequadas.

Lembre-se que os custos de uma empresa impactam diretamente no preço que ela cobra por seus produtos ou serviços. Portanto, quando esses custos não são devidamente gerenciados, pode acontecer de a empresa cobrar preços muitos deslocados de sua realidade.

Dessa forma, acaba colocando em risco suas margens de lucro e, consequentemente, a viabilidade do negócio prosperar em longo prazo.

Quer saber mais sobre essa importante temática? Então continue a leitura deste artigo para entender melhor o que é gestão de custos e formação de preços e por que é importante se atentar a esses dois aspectos.

Além disso, falaremos também sobre algumas ferramentas de gestão de custos, como usá-las, e as boas práticas que você poderá implementar na sua empresa para ficar de olho na redução de seus custos.

Leia também: 4 dicas de redução de custos nas empresas para aumentar suas margens

Antes de entender o que é gestão de custos, confira suas vantagens:

Gestão de custos e formação de preços

O que é gestão de custos e formação de preços?

Antes de definirmos o que é gestão de custos e formação de preços, é interessante entendermos que os custos de uma empresa se dividem, basicamente, entre fixos e variáveis.

O que são os custos fixos?

Os custos fixos são aqueles que independem do faturamento da empresa e da escala de produção.

Alguns exemplos de custos fixos de uma empresa:

  • Contas de água, internet, telefone;
  • Aluguel do espaço;
  • Salários de funcionários da área administrativa;
  • Alguns impostos específicos.

Isto é: são aqueles custos que não sobem caso a produção ou a entrega de serviços da empresa aumentem.

O que são os custos variáveis?

Já os custos variáveis se referem aos gastos que estão diretamente ligados à produção e à comercialização produtos ou serviços e se alteram em função do volume de faturamento da empresa.

Alguns exemplos de custos variáveis de uma empresa:

  • Comissões dos vendedores;
  • Matéria-prima;
  • Campanhas de marketing;
  • Manutenção de equipamentos e do espaço;
  • Alguns impostos específicos.

A gestão de custos, então, se refere à identificação e ao controle desses gastos, sejam eles fixos ou variáveis A intenção da gestão de custos é evitar que a empresa gaste mais que o necessário, mantendo, assim, a saúde financeira do negócio.

Veja mais alguns conceitos sobre custos neste vídeo com o professor Oscar Guimarães Neto:

Mas e a formação de preços? Onde ela entra nessa história?

Bom, o preço final que a empresa cobra por suas soluções está diretamente relacionado aos custos que ela teve para disponibilizá-las para a venda. Afinal, a empresa precisa ter lucros.

Logo, uma ineficaz gestão de custos pode fazer com que os preços estabelecidos não sejam os mais adequados. Isso gera perda de competitividade no mercado, diminuição do volume e redução da lucratividade.

Veja também: Passo a passo: como fazer projeção financeira na sua empresa?

Benefícios da gestão de custos e formação de preços

As empresas que sabem como fazer uma boa gestão de custos conseguem experimentar uma série de vantagens.

Dentre os principais benefícios da gestão de custos, podemos citar o maior controle sobre as saídas e a identificação de gargalos. Além disso, a empresa passa a investir com mais assertividade, pois os gestores terão acesso a informações importantes sobre o desempenho financeiro do negócio.

Ao entender quais são os principais desembolsos da empresa e os impactos que cada um deles representa, é possível realizar cortes de gastos e alocação de recursos com maior eficiência.

A correta gestão de custos pode trazer benefícios para empresas de qualquer tipo ou porte, como a melhoria na qualidade dos processos e na produtividade das equipes.

A precificação também é impactada de maneira positiva com uma eficiente gestão de custos. Isso porque, conforme já mencionamos, o preço cobrado é resultado de todos os investimentos que a empresa fez para colocar suas soluções à venda, considerando também o percentual de lucro que ela quer ter.

Sem uma gestão de custos bem estabelecida, pode acontecer de a empresa cobrar preços muito altos ou muito baixos que, de um jeito ou de outro, influenciam a decisão de compra de seus clientes e exercem impacto no faturamento.

Com a precificação ideal dos produtos e serviços, ampliam-se a competitividade e os lucros.

Portanto, os principais benefícios da gestão de custos são:

  1. Maior controle sobre as saídas e a identificação de gargalos
  2. Acesso a informações sobre o desempenho financeiro do negócio
  3. Realizar cortes de gastos e alocação de recursos com maior eficiência
  4. Melhoria na qualidade dos processos e na produtividade das equipes
  5. Ampliação da competitividade e dos lucros

Confira em nosso blog: A gestão de custos nas empresas é determinante para seu sucesso: veja como implementar em 3 fases

4 ferramentas de gestão de custos e formação de preços

Existem algumas ferramentas que podem te ajudar a como fazer uma boa gestão de custos e formação de preços na sua empresa.

Conheça um pouco sobre cada uma delas e como usar em seu negócio.

1 – Planejamento Orçamentário

O Planejamento Orçamentário é uma ferramenta muito útil para o gerenciamento de custos e para a correta precificação de produtos e serviços.

Trata-se de um documento que mostra quanto de dinheiro deverá ser destinado para cada tipo de custo. Além disso, ele mapeia as principais obrigações financeiras da empresa e dá direcionamento para as decisões dos gestores.

O PO é uma forma de você antecipar as despesas que você vai ter, por exemplo, com produção, pessoal, operacional e investimentos.

Uma boa maneira de fazer isso é analisando esses processos para se certificar de seu verdadeiros custos.

Se você que fazer essa análise de processos da maneira certa, então, confira esta metodologia:

Modelagem de processos de negócio

Veja mais: Empresas que utilizam Orçamento Base Zero: 5 cases de sucesso para se inspirar e implementar no seu negócio

2 – Fluxo de Caixa

O Fluxo de Caixa é também uma excelente ferramenta para gestão custos e formação de preços. Com ele, é possível monitorar todas as entradas e saídas que ocorrem no caixa da sua empresa.

Ao acompanhar essas movimentações, é possível identificar incongruências e avaliar a saúde de financeira da empresa, bem como sua capacidade de honrar suas obrigações.

O Fluxo de Caixa permite também fazer projeções de gastos, evitando que o gestor seja pego de surpresa lá na frente.

3 – Markup

O Markup é uma ferramenta muito utilizada por gestores na hora de definir os preços de seus produtos e serviços.

Trata-se de um índice multiplicador, o qual é aplicado sobre o custo daquilo que se pretende comercializar para, então, precificá-lo.

Para encontrar esse índice multiplicador, é preciso fazer um cálculo que envolve a margem de lucro e o custo unitário do produto ou serviço.

Essa matemática deve considerar todas as despesas fixas e variáveis e o percentual de lucro desejado.

A fórmula é a seguinte:

  • 100 / [100 – (DV + DF + LP)]

DF = Despesas Fixas

DV = Despesas Variáveis

LP = Lucro Presumido

Exemplo

Suponhamos que você tenha um e-commerce de calçados esportivos. O custo de aquisição do novo modelo de tênis da marca “X” é de R$ 50,00. As despesas fixas somam 7% desse valor unitário, enquanto as despesas variáveis somam 12%.

O lucro que você busca alcançar com a venda de cada par desse novo modelo de tênis é de 30%. Logo:

100 / [100 – (DV + DF + LP)]

100 / [100 – (12 + 7 + 30)] =

100 / (100 – 49 )=

100 / 51 = 1,96

O índice Markup de 1,96 deve ser multiplicado pelo Custo de Mercadoria Vendida, que é de R$ 50,00. Então:

R$ 50 x 1,96 = R$ 98,00

Isso significa que, considerando todos os custos da sua mercadoria e o lucro que você deseja alcançar com a venda desse produto, o valor dele na prateleira deverá ser de, pelo menos, R$ 98,00.

4 – Margem de Contribuição

Por fim, um dos métodos de formação de preço mais utilizados e que não poderia ficar de fora é a Margem de Contribuição.

Aqui, o cálculo busca descobrir a contribuição que o lucro obtido da venda de cada produto representa na hora de arcar com todos os custos ainda gerar lucro para a empresa.

A fórmula é a seguinte:

  • MC = Valor das Vendas – (Custos Variáveis + Despesas Variáveis)

Exemplo

Ainda seguindo o exemplo do e-commerce de calçados esportivos, suponhamos que você queira vender, nos próximos 30 dias, 250 unidades do novo modelo da marca “X” a R$ 100,00 cada par.

Os custos variáveis de cada par somam R$ 50,00 e as despesas variáveis somam R$ 30,00. Logo, temos:

  • Valor das Vendas = 250 unidades x R$ 100,00 = R$ 25.000,00
  • Custos Variáveis = 250 unidades x R$ 50,00 = R$ 12.500,00
  • Despesas Variáveis = 250 unidades x R$ 30,00 = R$ 7.500,00

Utilizando a fórmula, calculamos:

MC = Valor das Vendas – (Custos Variáveis + Despesas Variáveis)

MC = 25.000 – (12.500 + 7.500)

MC = 25.000 – 20.000

MC = R$ 5.000,00

Ou seja, a venda dos 250 tênis vai gerar uma Margem de Contribuição no valor de R$ 5.000,00. Para chegar a um valor percentual, basta dividir esse resultado pelo Valor das Vendas (25.000) e depois multiplicar por 100. O resultado será 20%.

Isso significa que para que o par do novo modelo de tênis dê lucro, o custo fixo não pode ser superior a R$ 20,00.

Para chegar a esse número, divida a margem de contribuição total pelo número de tênis vendidos, veja:

R$ 5.000 / 250 = R$ 20,00

A diferença entre a Margem de Contribuição da venda de todos os tênis e o custo fixo representará o lucro total da venda dos 250 tênis.

Com base no resultado desse demonstrativo de formação de preços, você terá uma ideia de quantas unidades mínimas você precisará vender.

Se a Margem de Contribuição não for boa o suficiente, pode acontecer de a sua empresa ter prejuízos mesmo vendendo muitas unidades.

Dica: Aprenda como precificar um serviço para sua empresa e tenha certeza de que terá lucro

E se você está a procura de mais ideias de redução de custos em seu negócio, então, confira estas sugestões da NFe.io:

Gestão de custos e formação de preços

Conclusão

A gestão de custos e formação de preços andam sempre lado a lado e são essenciais para a saúde financeira e sustentabilidade de qualquer negócio, seja ele de pequeno, médio ou grande porte.

Portanto, mesmo PMEs devem se dedicar a essa prática, que não é exclusiva das grandes corporações.

Assim, todas as empresas que se dedicam a esses aspectos tendem a apresentar resultados mais satisfatórios, além de se manterem competitivas no mercado de atuação.

Agora que você já sabe o que é, a importância e como fazer uma boa gestão de custos por meio das ferramentas que citamos aqui, que tal colocar isso em prática na sua empresa?

Veja mais: Custos invisíveis: o que são e porque são difíceis de identificar e tratar

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Vera Maria Stuart Secaf

Author Vera Maria Stuart Secaf

Sócia e Consultora sênior, atua há mais de 20 anos na gestão em organizações de diversos portes e setores. Ministrou aulas nos cursos de pós graduação da FUPAM, FEA/USP, FGV in Company e ANBIMA. Vera é administradora de empresas com MBA na Fundação Dom Cabral e Kellogg e Master em Governança na Nova Economia pelo GoNew Economy.

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